A partir de 1º de janeiro de 2027, PIS e Cofins deixam de existir e dão lugar à CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), com alíquota de referência estimada em 8,8% — não cumulativa, com crédito financeiro amplo. O IBS (que substituirá ICMS e ISS) começa com alíquota simbólica de 0,1% e só ganha corpo entre 2029 e 2033. Para empresas do Simples Nacional, nasce uma decisão inédita: manter IBS/CBS dentro do DAS ou recolhê-los "por fora", no regime regular, gerando crédito integral para clientes PJ.
1. O cronograma da transição
Ano-teste: CBS 0,9% + IBS 0,1% destacados na nota, compensáveis com PIS/Cofins (quem cumpre as obrigações acessórias não desembolsa). Simples Nacional não é afetado.
Fim de PIS/Cofins. CBS entra em alíquota cheia (referência ~8,8%, a ser fixada pelo Senado). IBS segue em 0,1%. IPI zerado (exceto ZFM). Imposto Seletivo entra. Split payment começa gradualmente.
Transição do ICMS/ISS para o IBS: os tributos antigos caem para 90%, 80%, 70% e 60%, enquanto o IBS sobe proporcionalmente.
Sistema novo pleno: IVA dual (IBS + CBS) com alíquota total estimada entre 26,5% e 28%. ICMS, ISS, PIS e Cofins totalmente extintos.
A decisão relevante para 2027–2028 gira quase toda em torno da CBS: ISS e ICMS continuam valendo integralmente nesses dois anos, e o IBS ainda é simbólico (0,1%).
2. Como é hoje × como passa a ser
| Regime | Hoje (até 31/12/2026) | A partir de 01/01/2027 |
|---|---|---|
| Simples Nacional (regime único) | DAS único com IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, CPP e ISS/ICMS, por faixas de faturamento (Anexos I–V). Cliente PJ não aproveita crédito relevante. | Praticamente igual: a parcela de PIS/Cofins do DAS vira CBS "por dentro", de forma neutra. O cliente PJ no regime regular passa a creditar apenas o valor efetivamente pago dentro do DAS — muito menor que o crédito de um fornecedor do regime regular. Risco competitivo em vendas B2B. |
| Simples "híbrido" (novidade) | Não existe. | A empresa permanece no Simples para IRPJ/CSLL/CPP/ISS/ICMS, mas recolhe IBS e CBS por fora, no regime regular: paga CBS ~8,8% (menos reduções setoriais e menos créditos das compras) e o DAS é reduzido na parcela correspondente a PIS/Cofins. Destaca imposto na nota e transfere crédito integral ao cliente PJ. |
| Lucro Presumido | PIS/Cofins cumulativo de 3,65% sobre a receita, sem créditos. IRPJ/CSLL sobre base presumida (32% serviços; 8%/12% comércio). ISS/ICMS por fora. INSS patronal sobre a folha. | O 3,65% morre e entra a CBS não cumulativa (~8,8%) + IBS 0,1% — com direito a créditos sobre insumos e despesas (exceto folha). IRPJ/CSLL presumidos, ISS/ICMS e INSS seguem iguais até 2029+. Empresas de serviço com folha alta e poucos insumos tendem a sentir aumento; quem tem muitos custos creditáveis pode até cair. |
| Lucro Real | PIS/Cofins não cumulativo de 9,25% com créditos restritos a insumos. IRPJ/CSLL sobre lucro efetivo. ISS/ICMS por fora. | CBS ~8,8% + IBS 0,1% com crédito financeiro amplo (praticamente toda despesa da atividade, exceto folha e itens de uso pessoal) — em geral o regime menos impactado, podendo haver economia. IRPJ/CSLL seguem iguais. |
3. A decisão-chave do Simples: dentro ou fora?
Ficar no regime único tende a ganhar quando…
- A receita vem majoritariamente de pessoa física ou de outras empresas do Simples (ninguém aproveita crédito).
- A empresa tem poucos custos creditáveis (serviço intensivo em mão de obra).
- Simplicidade operacional pesa: uma guia, sem apuração de débitos/créditos, sem split payment.
O híbrido (IBS/CBS por fora) tende a ganhar quando…
- Boa parte da receita é B2B para empresas do regime regular, que passam a exigir crédito integral dos fornecedores.
- A atividade tem redução de alíquota (30% para 18 profissões regulamentadas; 60% para saúde, educação e outros setores listados) — o débito cai, mas o crédito transferido continua valioso.
- Há custos creditáveis relevantes (mídia, software, aluguel, insumos) abatendo o débito de CBS.
O ponto central: no regime único o cliente PJ credita centavos; no híbrido (ou no Presumido/Real) ele credita ~8,8% do valor da nota. Em contratos B2B, essa diferença vira negociação de preço ou perda de contrato — concorrentes que geram crédito integral entregam um "custo líquido" menor para o mesmo preço bruto. O simulador desta página quantifica os dois efeitos: a carga tributária própria e o crédito transferido ao cliente.
4. Outras mudanças que afetam a operação
- Split payment: o recolhimento de IBS/CBS passa a poder ser feito na própria liquidação financeira (o banco/adquirente separa o imposto no pagamento). Impacto direto em fluxo de caixa a partir de 2027.
- Crédito financeiro amplo: no regime regular, praticamente toda aquisição da atividade gera crédito (fim das teses de "insumo"), exceto folha de pagamento e bens de uso pessoal.
- Cobrança "por fora": IBS/CBS são calculados sobre o preço sem imposto, exigindo revisão de precificação e de contratos (cláusulas de reajuste tributário).
- Obrigações acessórias: notas fiscais passam a destacar IBS/CBS já em 2026 (campos obrigatórios); quem optar pelo híbrido apura débitos e créditos mensalmente fora do PGDAS-D.
- Alíquota de referência: os 8,8% da CBS (e a alíquota-padrão total de ~28% em 2033) são estimativas oficiais — o valor final será fixado por resolução do Senado. Por isso o simulador deixa a alíquota editável.
Simulador por cliente
Preencha as variáveis do cliente e calcule. O simulador compara Simples único, Simples híbrido, Lucro Presumido e Lucro Real no cenário 2027–2028 (CBS cheia + IBS 0,1%, ISS/ICMS mantidos), contra a carga de hoje, e recomenda a opção de maior vantagem — considerando também o crédito transferido a clientes PJ.
Dados do cliente
Os campos aceitam qualquer formato: R$ 250.000,00, 250.000 ou 250000 — e percentuais com ou sem o símbolo (20% ou 20). O cálculo é o mesmo.
Premissas avançadas (editáveis)
Premissas de cálculo
- Horizonte: cenário 2027–2028. CBS em alíquota cheia (padrão 8,8%, editável); IBS 0,1%; ISS e ICMS mantidos integralmente; IRPJ/CSLL sem mudança.
- Simples único: DAS pelas tabelas vigentes dos Anexos I–V (LC 123/2006), alíquota efetiva = (RBT12 × alíquota nominal − parcela a deduzir) ÷ RBT12. A troca PIS/Cofins→CBS dentro do DAS é tratada como neutra. Crédito ao cliente PJ = parcela de PIS/Cofins (→CBS) efetivamente paga no DAS.
- Simples híbrido: DAS reduzido pela parcela de PIS/Cofins da repartição (padrão por anexo, editável). CBS devida = alíquota × (1 − redução setorial) × receita − alíquota cheia × custos creditáveis (nunca negativa). IBS análogo a 0,1%. Crédito ao cliente = imposto destacado na nota.
- Fator R: se anexo em "automático" e atividade de serviços, folha ÷ receita ≥ 28% → Anexo III; abaixo → Anexo V. Comércio → I; indústria → II. Anexo IV soma INSS patronal por fora.
- Lucro Presumido: hoje PIS/Cofins 3,65% cumulativo; em 2027 CBS/IBS com créditos. IRPJ 15% + adicional de 10% sobre a base presumida que exceder R$ 240 mil/ano; CSLL 9%. Presunção 32%/32% (serviços) e 8%/12% (comércio/indústria). ISS ou ICMS por fora; INSS patronal sobre a folha.
- Lucro Real: hoje PIS/Cofins 9,25% sobre (receita − custos creditáveis); em 2027 CBS/IBS com os mesmos custos creditáveis (crédito amplo tende a ser ainda maior — premissa conservadora). IRPJ 15% + adicional 10% sobre lucro > R$ 240 mil; CSLL 9% sobre a margem informada.
- Reduções setoriais: 30% para as 18 profissões regulamentadas (advogados, contadores, engenheiros, administradores etc.); 60% para saúde, educação e demais setores do art. correspondente da LC 214/2025. Aplicadas ao débito próprio e ao imposto destacado.
- Recomendação: menor "carga ajustada" = carga tributária própria 2027 − (captura × %B2B × crédito transferido ao cliente). Com captura = 0, a recomendação considera apenas a carga própria.
- Elegibilidade: Simples até R$ 4,8 mi de RBT12 (sublimite ICMS/ISS de R$ 3,6 mi sinalizado); Presumido até R$ 78 mi.
Tabelas do Simples Nacional embutidas (LC 123/2006)
| Faixa (RBT12) | Anexo I | Anexo II | Anexo III | Anexo IV | Anexo V |
|---|---|---|---|---|---|
| Até 180 mil | 4,00% | 4,50% | 6,00% | 4,50% | 15,50% |
| 180 mil – 360 mil | 7,30% | 7,80% | 11,20% | 9,00% | 18,00% |
| 360 mil – 720 mil | 9,50% | 10,00% | 13,50% | 10,20% | 19,50% |
| 720 mil – 1,8 mi | 10,70% | 11,20% | 16,00% | 14,00% | 20,50% |
| 1,8 mi – 3,6 mi | 14,30% | 14,70% | 21,00% | 22,00% | 23,00% |
| 3,6 mi – 4,8 mi | 19,00% | 30,00% | 33,00% | 33,00% | 30,50% |
As alíquotas acima são nominais; o cálculo usa a alíquota efetiva com a parcela a deduzir de cada faixa. A parcela de PIS/Cofins na repartição varia por anexo e faixa — o padrão do simulador (15,5% no I/III, 14% no II, 21,5% no IV, 17,15% no V, 1ª faixa) é editável nas premissas avançadas.
Fontes
- Contábeis — PIS/Cofins substituídos pela CBS em 2027
- Contábeis — O que muda em 2027 com CBS e IBS
- APET — Alíquota da CBS será de 8,8% após a fase de testes
- Receita Federal / Simples Nacional — prazos de opção pelo regime regular de IBS/CBS
- Escola Superior do Simples Nacional — Regime híbrido: o que muda com IBS e CBS
- e-Auditoria — Regime híbrido do Simples: como decidir
- Senado Notícias — Reduções de 30%, 60% e isenções de IBS/CBS
- CRC-PE — Profissões regulamentadas com redução de 30%
- LC 123/2006 (tabelas dos Anexos I–V) · EC 132/2023 · LC 214/2025